domingo, 18 de setembro de 2011

Os 5 tabus

Quando acertei a minha vinda para a Argélia, e depois de investigar um pouco pela net sobre o que era a realidade do país, decidi que para o meu bem-estar havia 5 tabus. 5 coisas que não poderia/devia fazer durante a minha estada nestes lados.

Assim, defini os seguintes assuntos, como interditos:

1 - Ir a barbeiro/cabeleireiro;
2 - Ir ao dentista;
3 - Não partilhar piscinas com mamíferos argelinos
4 - Evitar a todo o custo ser picado por agulhas;
5 - Abster-me de contactos íntimos com a fauna local.

Até à data, e já lá vão mais de 3 anos, só ainda tinha falhado com 1,5 destes tabus: no âmbito da medicina do trabalho, e principalmente para dar o exemplo aos outros, lá fiz umas análises ao sangue, onde obviamente tive de ser picado. O outro meio-tabu que não respeitei, foi a coisa da piscina, embora neste caso tenha desculpa, pois foi na Tunísia, e até hoje não posso confirmar se havia ou não nativos da Argélia no Hotel onde fiquei. (Outro dia tentei ir a um hotel com piscina neste pardieiro, mas fui expulso)

Dos outros três, cá me vou remediando: o meu corte de cabelo é homemade, com uma maquineta que trouxe de Portugal, e no que diz respeito a contactos íntimos, acredito no apuramento da raça, logo misturas de sangue com esta gente continua a estar fora de questão ;)

O pior deles é mesmo o dentista: já aqui andei algumas semanas com um dente partido, com umas constipações e voos pelo meio, o que é um cocktail de coisas que não cai muito bem.

Infelizmente, a minha ida a Portugal avizinha-se ainda bem longínqua, e com as dores que tinha andado na última semana, tive de me deixar de mariquices e lá fui ao dentista... Gostei tanto que amanhã volto lá; as minhas idas ao carniceiro hão-de merecer um post à parte, dada o surrealismo da coisa...

(E com a linda imagem da minha boca aberta, regresso ao mundo dos vivos, após uma ausência prolongada, que meteu férias, algum trabalho, a silly season da Argélia, aka Ramadão, o 3º aniversário da minha vinda para a Argélia, mas sobretudo muita falta de vontade de escrever)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

1005

Miss my kids :(

sábado, 11 de junho de 2011

Genius working

Os fins de semana sem ocupação continuam a despertar o pequeno génio tenho cá dentro.

PROBLEMA: Como comer amendoins salgados, ao mesmo tempo que se está ao computador, sem jabardar o teclado e o rato?

RESPOSTA: Deitar a quantidade pretendida numa caneca, e beber os amendoins!

Sieg Heil


Uma das facetas mais ocultas, e parece que recentes, dos caros argelinos é a sua adoração pelo Adolfo. A lógica é simples de entender: se mata judeus, é cá da malta. Ainda pensei que gostavam dele, por ter sido o principal mentor da criação do VW Carocha, mas mais uma vez enganei-me...

É também mais uma evidência do atraso de 500 anos que estas cabeças levam, em relação ao mundo normal. É fácil encontrar um argelino com uma foto do Adolfo no telemóvel ou no perfil do FB. Às vezes gostava de ter um bocado mais de paciência para lhes tentar dar uns esclarecimentos sobre história, mas ia acabar por ser mais uma sessão de "lavar a cabeça a burros" (leia-se desperdiçar água e sabão).

Ainda assim, de vez em quando lá tento explicar-lhes que a ideia do rapaz era eliminar as raças inferiores, e que a fisionomia deles não encaixa em nada no padrão ariano, mas com pouco sucesso. Se calhar é a abordagem complicada. Depois tento fazer-lhes ver que a limpeza começou pelos judeus,  por razões económicas, mas sobretudo práticas: os judeus eram os que estavam ali mais à mão...

domingo, 29 de maio de 2011

As brochettes de Beni Haroun



As brochettes (que são umas espetadas muito ferradas na quantidade de carne, as da imagem são mesmo para o cenário) a par das pizzas e dos hamburguers (gosto do meu corrector ortográfico que me sugere a palavra "emburguesas"), são os pratos tradicionais da Argélia. Se não são, disfarçam bem pois a cada esquina há um sítio onde encontrar um destes pitéus.

Em frente à casa onde moro, há um destes restaurantes; as brochettes são porreiras, e com 100 Dinares (1 €uro) trago 5. É também bastante cómodo, porque uma vez deixei uma gorjeta choruda, e agora basta-me ir à varanda e fazer o pedido. Outra particularidade deste restaurante, é que no fim da noite arredam as mesas e as cadeiras e transforma-se em garagem...

Mas das que quero falar hoje são das brochettes de Beni Haroun. São o ex-libris gastronómico da zona Este do país, e por grande parte dos sítios por onde já passei na Argélia (que se me puser a pensar não foram assim tão poucos), a fama delas é sobejamente conhecida.

Beni Haroun tem supostamente umas termas, que nunca vi, mas é mais conhecida pela ponte e pela barragem que sai do sítio sempre que enche demais...

A comida é preparada à nossa frente, tipo restaurante de sushi, entre os fumos de escape e as moscas, por um chef bonitão, com o palito à banda. Luvas e chapéu é coisa para meninos. Em Portugal, um cenário destes era capaz de dar um ataque ao comum inspector da ASAE (cá não existem esses "terroristas do comércio tradicional"). Por aqui é normal.




Outra das maravilhas de comer aqui, é o sentido de aventura: no fim do repasto, fica sempre aquela sensação de incerteza: "Será que vem aí mais uma disenteria?"; "Será que aguento a tripa até casa? (sempre são uns 40 km?"

quinta-feira, 26 de maio de 2011

(Something) In the air tonight



Um dos meus melhores amigos na Argélia, é o meu modulador FM. É com ele que consigo evitar as rádios argelinas, e ouvir música decente enquanto conduzo.

O trajecto de casa-trabalho hoje de manhã foi especialmente doloroso: para além do tráfico normal da quinta-feira (mais carros=mais selvagens na estrada), o meu modulador parecia ter dado o berro mestre... Isto é normal, e mais ou menos todos os meses tenho de comprar um novo, dado que é do padrão normal das coisas que vêm da China! Pensei que ia ter de sair mais cedo, e dar-lhe um funeral condigno como é normal: dar-lhe umas pézadas valentes e dizer um rol de asneiras!

Entretanto tive de sair, para justificar o meu salário, e continuei a minha busca por uma frequência onde o zingarelho funcionasse, mas sem sucesso. Numa das frequências, apanhei uma música de Coldplay; não é muito da minha praia, mas sempre se consegue ouvir sem furar os tímpanos como a música argelina faz. No final da música a surpresa: "Rádio Comercial: 3 seguidas sem parar!". A minha primeira reacção foi de espanto; depois veio a mente perversa e reparei bem na frase... "3 seguidas sem parar"... yeah right, como se tivesses 22 anos :)

Para quem não vive num país como este, não consegue entender a alegria de ouvir a nossa língua na rádio: pode-se ouvir música portuguesa, mas não é a mesma coisa que ouvir uma voz, que nós sabemos que está lá do outro lado... É esquisito de explicar, mas sabe bem ;)

Depois, e aproveitando o transito parado, decidi fazer mais um scan, e eis que me deparo com a Rádio Renascença, e outras estações espanholas, italianas e uma grega :) Aí sim, vi a luz! Consegui decifrar a big picture por detrás disto tudo: Rádio Renascença + Missa na rádio + ouvir-se na Argélia = Cruzadas v2.0!!!

Vamos voltar para evangelizar este povo, e acabar o trabalho que o Afonso começou depois de bater na mãe.

Secretamente Portugal, e alguns dos restantes países da UE que estão a passar um mau bocado, vão invadir a Argélia, e de futuro todo o Magrebe, e vão transformar esta zona num paraíso fiscal com casinos e casas de moças que se despem; uma espécie de Las Vegas da Europa, que por acaso sempre foi o meu sonho de empreendedorismo para este país!

Esta operação já decorre há algum tempo; a parte de reconhecimento das linhas inimigas veio disfarçada como obras. Agora começa a 2ª fase, que é a propaganda subversiva através da rádio. A 3ª fase ainda não estou ao corrente, mas de certeza que envolve submarinos...

(a música esteve para ser a dos assobios dos Scorpions, mas já me basta de má música nestes últimos dias: tenho o "Hello" do Lionel Richie na cabeça desde ontem)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Pai: já gosto de pastilhas!

Hoje foi dia de novidades; a filha quis falar com o pai ao telefone (coisa rara) com uma novidade importantíssima: já gosta e acima de tudo já sabe como se comem pastilhas elásticas.

Ao mesmo tempo fiquei a saber que há regras para as comer:

- Deitar para o lixo quando já não tem sabor;

- Não deitar para o chão, por que podem ficar presas aos sapatos das pessoas. Também são perigosas para os pássaros, pois eles podem comer e ficar com o bico colado;

- Não se pode engolir, por que não se consegue respirar, e a comida não passa para o coração e morremos.