domingo, 31 de outubro de 2010

Almas Gémeas - As pontes

Hoje é Domingo. O primeiro dia útil da semana à moda da Argélia. Amanhã, é feriado. Dia do início da guerra da independência contra os franciús.

Uma das coisas que estes 2 povos partilham em comum, é o gosto pelas pontes. Assim, como mais mediáticas nós temos a Vasco da Gama, eles hão-de ter a "Transrhumel", no dia que se decidirem a deixar-nos fazê-la...

Nas pontes que realmente interessam ao povo, os dois países podem andar de rastos, mas o que interessa são os fins de semana prolongados.

A minha ajudante ligou-me ontem à tarde. Estava doente, e previsivelmente não poderia vir hoje. Pedi-lhe para trazer a justificação do médico, o que à semelhança de diplomas universitários e cartas de condução, não há-de ser grande problema. Tenho um amigo que faz :)

A virose que por aí anda deve ser bem contagiante, por que hoje o escritório está a meio-gás. Anda meio mundo doente...

Almas gémeas

Embora passe o tempo a dizer mal da Argélia em geral, e dos Argelinos em particular, eles são muito parecidos com os tugas.

Os tempos que por lá passaram, até o Afonso ter batido na mãe e decidir reconquistar a terra aos mouros, deixaram marcas. Eu costumo dizer que o sangue é o mesmo... Logo, há muita coisa em comum entre estes 2 povinhos ;)

Esta nova rubrica que estreia hoje, e que vai durar até eu me fartar, vai mostrar essas mesmas semelhanças.

sábado, 30 de outubro de 2010

Consanguinidade



É uma palavra muito díficil de dizer e escrever correctamente; além disso, a maioria de nós conhece este fenómeno como "filhos de primos", e para este caso é a definição mais acertada.

Durante estes dois anos a pedalar na bosta por terras argelinas, tentei decifrar o porquê destes tipos serem como são. A coisa que vem sempre à cabeça é "estes gajos não são normais" (os que vieram de Portugal, também não são, mas isso são outras rosas). A religião e o terrorismo, não justificam tudo. Ainda apontei para o calor, mas acabava por ser uma teoria meio rebuscada, por que o inverno aqui também fica bem frio...

A prova desta minha teoria, apareceu durante esta semana; o Raul (cognome português para um argelino porreiro que temos no escritório) faltou ao trabalho de manhã. Motivo: foi só num instante casar-se. Voltou da parte da tarde, todo orgulhoso com a sua aliança de prata (os homens não podem usar ouro, senão vão ser bons clientes de Viagra...) e legalmente autorizado para começar a constituir família. Com a prima...

- Com a prima????

- "Oui! C'est normal!"

Pois...normal só se for por aqui! Mas lá está, normal e Argélia na mesma frase, é sempre meio esquisito de se ler...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Hotel Le Petrolier

Como as novidades por cá continuam parcas, decidi fazer uma instrospecção das belas paragens por onde já andei, em terras argelinas desde 2008.

Que dizer do Hotel Le Petrolier??? Primeiro dizer como lá fui parar: para os argelinos, à semelhança dos alentejanos o "Já ali à frente!", são normalmente 80 Km's ou mais. Desculpo mais os argelinos, nesta falha na noção do que é perto, por que efectivamente a Argélia é um país enorme...

A minha viagem começou com um voo para Hassi Messaoud, onde iria sair de carro para Ghardaia, numa "viagenzita" de 350 kms. Tudo para poupar numa noite de hotel em Argel...

Hassi Messaoud, é tipo o Entroncamento. É de lá que a malta dos petróleos se junta, e por onde se distribuem para o resto do país. É também conhecida por ser a terra das put@s e de terem os únicos voos minimamente pontuais. 

Tem também um sistema de segurança marado para se poder sair do aeroporto: escolta ou livre-trânsito. Aqui o amigo não tinha nada, e queria ir à noite de táxi pelo meio do deserto, até Ghardaia. Patinho!!! A primeira bola a sair do saco, foi o passaporte confiscado. A segunda foi ter de esperar pelo ultimo voo(quase 8 horas), para poder apanhar boleia da Policia até um hotel na cidade.

Pelo meio fui tendo as normais conversas com os policias argelinos: a Argélia é linda, o Figo, o Ronaldo, a Linda de Suza, e claro, o Madjer: o melhor estranjeiro de sempre a jogar em Portugal...Claro, num cubículo fechado com 2 cheirosos: abençoado vício de fumar, que diminui o olfacto!

A hora combinada, lá fui na carrinha celular, com os polícias a cantarem qualquer coisa parecida com a "fui de visita à minha tia a Marrocos!"

Largado no hotel, quase em movimento, lá entro no hotel; à entrada nada de especial: só mais um hotel ranhoso na Argélia. O comum!

Feito o check-in, hora de subir para o quarto! Nas escadas (claro que o elevador estava "en panne"), até ao 3º andar, acho que vi todas as raças: pretos, brancos, amarelos, azuis, cinzentos demais cores que se possam lembrar. Tudo a fumar sentados nos degraus, e com pouca de se desviarem da minha mala...

Vamos mas é às fotos, que eu sei que é isso que a malta gosta :)

Entrado no quarto, pude admirar a bela decoração estilo "casa da minha avó no interior":

Favor reparar no toque de classe, ao por à disposição do cliente, um belo roupão, muito provavelmente a cheirar ao último hóspede...

Banheira de hidromassagem de última geração: ainda equacionei tomar aqui um banho, mas felizmente não havia água...

Hummmmm... É preciso comentar alguma coisa?

Por fim, a foto que melhor representa a Argélia: xanatos aka reparações de arame e martelo (o tuga também tem este dom). Repare-se no toque de classe, com a ponta do palito ensanguentada...

Resta dizer, ao melhor estilo tripadvisor, que se estão interessados em dormir vestidos, não ter água e ficar 3000 dinares (+/- 30€) mais leves, optem pelo Le Petrolier...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Constantine Outono/Inverno - 2010

Parece que nova moda, a nova moda dos portugueses por cá, é discutir forte e feio uns com os outros durante o dia, e à noite fazer as pazes ao melhor estilo Big Brother :)

Eu, que não ligo a nada a estas coisas da moda(tirando umas paragens ocasionais no FashionTV, para ver umas peles), continuo na minha onda Zen: discutam à vontade, que eu não tenho vida para aturar discussões idiotas. Durante o dia chama-se tudo e mais alguma coisa, por coisas mínimas, à noite enterram-se os machados, e no dia seguinte, logo se vê quem vai ser o próximo alvo.

É o derradeiro sintoma de trabalho a menos...

domingo, 10 de outubro de 2010

E mais uma vez...

lá estou de volta a esse grande país, que é a República Popular e Democrática da Argélia...

Por estas bandas, voltou tudo à normalidade (relativa), já que usar as palavras "normal" e "Argélia" no mesmo encadeamento de frases é estranho. Isto quer dizer, que pelo menos agora já voltaram a comer às horas e vezes normais.

O trabalho, esse continua enguiçado e a promessa de tempos livres e idiotas com fartura, parece que se vai manter...infelizmente...