domingo, 29 de maio de 2011

As brochettes de Beni Haroun



As brochettes (que são umas espetadas muito ferradas na quantidade de carne, as da imagem são mesmo para o cenário) a par das pizzas e dos hamburguers (gosto do meu corrector ortográfico que me sugere a palavra "emburguesas"), são os pratos tradicionais da Argélia. Se não são, disfarçam bem pois a cada esquina há um sítio onde encontrar um destes pitéus.

Em frente à casa onde moro, há um destes restaurantes; as brochettes são porreiras, e com 100 Dinares (1 €uro) trago 5. É também bastante cómodo, porque uma vez deixei uma gorjeta choruda, e agora basta-me ir à varanda e fazer o pedido. Outra particularidade deste restaurante, é que no fim da noite arredam as mesas e as cadeiras e transforma-se em garagem...

Mas das que quero falar hoje são das brochettes de Beni Haroun. São o ex-libris gastronómico da zona Este do país, e por grande parte dos sítios por onde já passei na Argélia (que se me puser a pensar não foram assim tão poucos), a fama delas é sobejamente conhecida.

Beni Haroun tem supostamente umas termas, que nunca vi, mas é mais conhecida pela ponte e pela barragem que sai do sítio sempre que enche demais...

A comida é preparada à nossa frente, tipo restaurante de sushi, entre os fumos de escape e as moscas, por um chef bonitão, com o palito à banda. Luvas e chapéu é coisa para meninos. Em Portugal, um cenário destes era capaz de dar um ataque ao comum inspector da ASAE (cá não existem esses "terroristas do comércio tradicional"). Por aqui é normal.




Outra das maravilhas de comer aqui, é o sentido de aventura: no fim do repasto, fica sempre aquela sensação de incerteza: "Será que vem aí mais uma disenteria?"; "Será que aguento a tripa até casa? (sempre são uns 40 km?"

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